domingo, maio 27, 2012

A Organização Geoeconômica do Espaço Brasileiro

Em 1981, quando o geógrafo Jorge Fernando SANTANA¹ escreveu sobre a organização geoeconômica do espaço brasileiro, a estrutura do espaço geoeconômico brasileiro tinha a seguinte configuração:

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Nesta análise foram usadas três variáveis: ÁREA, POPULAÇÃO e RENDA NACIONAL (ou Produto Interno Bruto – PIB). Após observar esses números ele concluiu que naquele momento “em apenas 18% de todo o território nacional concentravam-se 61% da sua população total e 82% da renda nacional total.” Esses números representam a somas dos números apresentados pelas regiões Sudeste e Sul.

Hoje, sabendo que a Área Territorial Oficial do Brasil é de 8.514.876,599 km², com uma população total de 190.755.799 habitantes (Censo IBGE 2010) e um PIB de R$ 3.239.404.053,00 (Censo IBGE 2010),  nossas Grandes Regiões Geográficas apresentam os seguintes números:

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Cartograficamente esses números teriam a seguinte representação:

O quadro seguinte mostra as variações apresentadas entre os anos de 1981 e 2010, para as áreas, populações e renda nas regiões Centro-oeste, Nordeste, Norte, Sudeste e Sul.

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CONCLUSÕES: a redução territorial apresentada pela região centro-oeste neste período é compreendida pela criação do estado de Tocantins, o que fez essa região transferir esse percentual territorial para a região norte, onde se inseriu o então novo estado da federação.

A região Norte apresentou o maior crescimento populacional, decorrente talvez da criação de novas unidades da federação, seja através do desmembramento de unidades preexistentes, como no caso do estado de Tocantins, seja pela transformação dos então territórios federais do Acre, Amapá, Rondônia e Roraima, o que levou a uma explosão populacional nestes novos estados, decorrente das novas frentes de trabalho criadas.

Já no quesito Renda, a região Sudeste apresentou a maior queda no intervalo de tempo 1981 e 2010, provavelmente em razão do crescimento econômico apresentado nas outras regiões. O maior aumento se deu na região Centro-oeste, provavelmente decorrente do avanço e desenvolvimento da agropecuária nesta região.

No tocante à participação populacional nacional, a região Sul apresentou as maiores quedas, talvez em razão da diminuição das taxas de natalidade neste período. O maior crescimento desse quesito se deu na região Centro-oeste, provavelmente diretamente decorrentes do avanço e desenvolvimento da agropecuária naquela região.

Neste último cartograma podemos observar a variação dos percentuais de participação na renda nacional (PIB) das grandes regiões brasileiras (veja o último quadro acima).

MAPA - A Organização Geoeconômica do Espaço Brasileiro (PIB%AT)

Isso pode ser comprovado pelo que diz o autor, no fim desse capítulo, quando ele afirma:

“Nesse processo de formação da economia nacional, as regiões não apenas se interligam, como sobretudo redefiniram seus papéis e suas atividades. As distâncias desempenham, nisso, importante função. Tanto que as regiões mais vizinhas do centro hegemônico (Sudeste) mais rápida e extensamente se reestruturam: o Sul e o Centro-oeste.”

Referência:

  1. SANTANA, Jorge Fernando. A Formação de Economias e a Distribuição Espacial das Atividades Econômicas (Tema sorteado da prova escrita para provimento de vaga de Professor Assistente). Universidade Federal de Pernambuco. Instituto de Filosofia e Ciências Humanas. Departamento de Ciências Geográficas. Recife/PE, 1981;
  2. Sistema IBGE de Recuperação Automática. Produto Interno Bruto dos Municípios 1999-2009. Tabela 21 – Produto interno bruto a preços correntes, impostos, líquidos de subsídios, sobre produtos a preços correntes e valor adicionado bruto a preços correntes total e por atividade econômica, e respectivas participações.